segunda-feira, 2 de abril de 2012

Batismo






a poesia não me benzeu apenas luas
filosofia, heróis, heroínas
lamentos, suicidas, romanceiros
me falou de mares, sertões, estios
buracos negros
me ensinou a paixão de carteiros e navegantes
na pedra esculpiu meus desejos
e me deu de presente a montanha

a poesia que reclamo minha
é fruto de muitas outras
tantas dos meus encantos
nos encontros noturnos
nos caminhos dos dias
ecoando passos de estranhos
que me soam íntimos
quase filhos quase amantes

é que a vida já nasce espantada
quando o Verbo te batiza
antes da primeira palavra
ainda antes do útero materno
na passagem do princípio ao eterno
no mistério dos espíritos flutuantes
sem pouso ou morada
te aspergindo versos

Márcia Leite
Imagem: galáxia ESO 593-IG 008 (Bird)

5 comentários:

Cristiano Marcell disse...

Belo poema , minha cara! Não passo por aqui a algum tempo, queira me perdoar! É que, apesar de ser seu seguidor, o Blogger não tem atualizado, mostrando movas postagens suas! Ficarei mais atento!

Muita paz!

Márcia Leite disse...

Obrigada, Cristiano. Mesmo não 'passando por aqui a algum tempo', quando passas deixa sempre a marca bonita do teu carinho. Gosto de passear pelos seus. É evidente a poesia por lá. Então, te visitar me proporciona pequenos momentos de encanto, sempre necessários. Por isso, vou e volto. Quanto ao Blogger, confesso que sou fraquíssima em entendê-lo e a seus humores!
Um abraço carinhoso

Sérgio de Almeida disse...

Márcia, obrigado pelos comentários no meu blog. Teu espaço também é tocante. Poesia, literatura e música nos tornam de fato humanos.

Abraço e tudo de bom.

Sérgio

Márcia Leite disse...

Teu blog é mesmo uma sucessão de primores! Parabéns! Obrigada pela visita.
Abraços

Fred Caju disse...

Saudações quem aqui posta e quem aqui visita.
É uma mensagem “ctrl V + ctrl C”, mas a causa é nobre.
Trata-se da divulgação de um serviço de prestação editorial independente e distribuição de e-books de poesia & afins. Para saber mais, visitem o sítio do projeto.

CASTANHA MECÂNICA - http://castanhamecanica.wordpress.com/

Que toda poesia seja livre!
Fred Caju