segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Cada gotícula de suor expulsa parecia lágrima de solidão. O corpo ardia, na noite dos arrependidos.

Márcia Leite

Inquietude

isto ou aquilo, poderia dizer
ele ou aquele, poderiam ser
mas não vejo nome
imagem (ou desejo)
nada de concreto
somente uma lembrança
(quase apagada)
nesta inquietude que atravesso
e me consome.

Márcia Leite

sábado, 10 de dezembro de 2011

Pardais



O sol beija o quarto, ilumina as paredes, realçando as cores nos detalhes onde invejei Frida. Sábado de preguiça. Uma vontade louca de soltar o corpo mundo afora num ‘¿Quien me va a entregar sus emociones? ¿Quien me va a pedir que nunca le abandone?’, e rindo do inusitado, da lembrança, da vontade de liberdade no absolutamente simples, no descomplicado. Alegria levada ao extremo de assumir, mesmo que só por alguns dias, uma cortina exagerada, vermelha, florida. Delícia de sábado, bem-te-vi gritando, barulhinho de pardais bicando, desfiando o toldo para construir ninhos (ninhos simples, ninhos de pardais). Cheiro de café invadindo a casa e - que leveza na alma! - nenhuma outra necessidade além de vivê-lo.

Márcia Leite

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

À magia dos encontros

Quer gostes ou não, escrevo poesia. Escrever poesia não é aglomerar palavras, é destilar os sumos do olhar e aspergi-los, com cuidado, sobre o papel. Escrever poesia não é encenar passos cronometrados sobre tablados, é viver a lâmina, o besouro, o pássaro, a árvore, o sol, o sangue, o espanto, o farol, o outro, o fundo (da caverna, do poço).

Márcia Leite