sábado, 16 de junho de 2012

cry me a river



rolam águas de mágoas e abandono 
sobre o planeta
o útero Pacífico de Gaia
expeliu a índica revolta da antiforma

Poseidon agitou o tridente
aumentando seu território
e Atlântida acordou nos subterrâneos dos mares
gritando fantasmas da Indonésia

as geleiras na Antártida 
deslocam-se inexoravelmente
ameaçando os domínios de Ceres
Perito Moreno lacrimeja nos lagos da Patagônia

quebrada a harmonia, o jarro da Temperança
já não verte o líquido da vida
resta-nos ainda o latino choro dos rios
e o canto da Oxum

mas quando
na hora do Imponderável
Lurelei silenciar ao Norte
e Iemanjá recusar as oferendas

o sal que batiza 
será o sal da morte
e o doce que alimenta 
não sobreviverá.

Márcia Leite, em Versos Descarados
Imagem: Google

Um comentário:

Barbara Jovanholi disse...

Águas es-correm dos olhos do mundo. Luas além do homem-acidente. Sobre o oriente e o ocidente, sóis ressecam almas, até os dentes.
Sua fã.